| PELE
DE RÃ TEM EFEITO CICATRIZANTE |
Pesquisadores cariocas
descobriram que o pó extraído da pele de rã pode
cicatrizar queimaduras de terceiro grau. A substância - para uso
tópico - tem um antibiótico natural e proporciona alívio
quando é aplicada. A prática existe há três
anos, mas ainda não havia nenhuma pesquisa científica
que comprovasse a eficácia do tratamento. "Nós estamos
compondo uma base científica para compreender os princípios
ativos da pele da rã. O resultado poderá ajudar milhares
de pessoas com queimaduras e até mesmo os diabéticos",
diz o professor e coordenador da pesquisa, José Seixas Filho,
da Unisuam, em Bonsucesso. O estudo teve início em outubro de
2008 e consiste em avaliar os resultados das aplicações
do pó em 30 ratos wistar, espécie que apresenta DNA similar
ao do ser humano em até 98%. Apesar do pouco tempo de pesquisa,
Seixas Filho diz que já é possível afirmar que
a aplicação da pele da rã permite cicatrização
bem mais rápida do que os tratamentos convencionais. A pesquisa
faz parte da conclusão do mestrado de 35 estudantes que trabalham
no criadouro da universidade. Além da pele, a carne de rã,
considerada uma das mais nutritivas, também é aproveitada
para outro estudo com crianças com Erro Inato de Metabolismo.
"Nosso trabalho é aproveitar toda a rã, pois a pele,
embora tóxica ao meio ambiente, tem uma solução
benéfica aos homens. E a carne ajuda a curar alergias alimentares
de crianças", explica um dos responsáveis pelo estudo,
Januário Mourão. Este mês, o Hospital Especializado
de Ribeirão Preto, em São Paulo, fez a primeira cirurgia
usando pele de rã. A paciente é uma jovem de 18 anos,
que teve de 30% a 40% do braço queimado. O hospital recebeu doações
de 150 peles do Instituto Nelson Piccolo para uso nos curativos. Jararaca
para combater câncer As propriedades terapêuticas dos animais
são freqüentemente pesquisadas. Ano passado, cientistas
do Instituto Butantan, em São Paulo, realizaram estudos com toxina
presente no veneno da cobra jararaca para tratar o melanoma, a forma
mais agressiva de câncer de pele. Os pesquisadores buscaram toxinas
de venenos usadas para diminuir a proliferação de células
tumorais. A pesquisa é baseada numa pequena modificação
na estrutura da jararagina, toxina capaz de reconhecer parte da membrana
da célula tumoral, bloqueando a metástase.
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