Tourinhos
na lagoa
Ranicultores paulistas querem introduzir o sistema
integrado de produção para viabilizar a criação
comercial de rãs no País
POR VIVIANE TAGUCHI, DE SÃO ROQUE (SP)
“Infelizmente, ainda temos problemas para efetuar um
abate em escala, por isso as demandas seguem como cargas vivas
para seus destinos”, explica Leandro Di Pietro, sócio-proprietário
do ranário. Do RanaVille saem duas toneladas e meia
de rãs com destino a Nova York, todos os meses, e o
restante da produção abastece o mercado interno.
“Há uma grande demanda no mercado interno, mas
a produção acaba sendo voltada para o Exterior,
em virtude da falta de estrutura para o abate e a comercialização
doméstica.” Di Pietro e seu sócio, Artur
Lalis Neto, investem agora em uma empresa voltada para a agroindústria.
Em cinco meses, um abatedouro, também em São
Roque, estará pronto e certificado pelo Ministério
da Fazenda com o SIF para o processamento das carnes. A intenção
é chegar ao abate de seis toneladas/ mês. “Queremos
conscientizar os produtores da região de que este é
o caminho a ser seguido para que a atividade consiga ter continuidade
por aqui. Ou você cria e engorda, ou investe no abate
e na comercialização, que é uma etapa
bastante burocrática”, afirma Di Pietro. “A
organização na cadeia produtiva é essencial
para a continuidade do negócio, como em qualquer outra
atividade. O produtor rural precisa se conscientizar disso
e evitar os erros do passado. Ele quis fazer tudo sozinho
e a expansão da ranicultura fracassou naquela época”,
complementa Lima.

A experiência de tentar abraçar toda a cadeia
produtiva da rã já teve um gosto bem amargo
para o produtor rural Francisco Hickishi, de São Paulo.
Há 30 anos no mercado, Hickishi há oito anos
partiu apenas para a comercialização da carne
de rã. “Vendo a carne congelada diretamente para
restaurantes de São Paulo”, diz ele, que comercializa
em média 1.300 quilos de carne de rã por mês,
principalmente coxas, ao preço médio de R$ 35.
Hickishi trabalha com estes números há algum
tempo e acredita que o País ainda precisa trabalhar
na popularização da carne para que a produção
possa evoluir. “São sempre os mesmos restaurantes.”
Dados da Organização Mundial para a Alimentação
(FAO) apontaram que, de 1990 a 2000, o consumo da carne de
rã in natura aumentou 30%, mas de 2000 a 2009 este
índice caiu 11%. “Os brasileiros ainda têm
uma certa restrição ao consumo da carne de rã,
até por isso seus cortes devem ser especiais. Isso
já não acontece no mercado americano ou europeu”,
ressalta Di Pietro. Para tentar reverter esta imagem perante
o consumidor brasileiro, Di Pietro e Lalis projetam desenvolver
novos produtos a partir da carne de rã para diminuir
o preconceito. “Até porque isso vai agregar valor
ao produto brasileiro como um todo, mas é uma prioridade
organizar a cadeia produtiva também para trabalharmos
esta questão”, enfatiza. Entre os produtos diversificados
que eles almejam colocar no mercado está o patê
de fígado de rã e petiscos embutidos a partir
da carne moída do dorso do animal. E, então,
deu água na boca?
Fonte: www.terra.com.br/revistadinheirorural/edicoes/71/artigo186562-2.htm
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